O que é e como funciona uma carteira recomendada?

Recurso é oferecido por corretoras para auxiliar investidores; saiba se vale a pena

Começar a investir não é uma tarefa fácil. O mercado é cheio de termos, conceitos e ativos que o investidor iniciante não compreende bem. E, embora o ato de investir seja mais fácil hoje do que já foi no passado, escolher bons ativos é o grande desafio.

Nesse sentido, muitas corretoras possuem um serviço chamado carteira recomendada, um modelo elaborado pelos seus analistas. Essas carteiras são criadas para servir como um auxílio na hora de investir. Nesse texto você vai entender o que são e como funcionam as carteiras recomendadas.

Conceito de carteira de investimentos

Antes de tudo, é preciso entender o que é uma carteira de investimentos como um todo. No mercado financeiro, este termo é utilizado para definir o conjunto de produtos e aplicações financeiras detidos por um investidor.

Também conhecida como portfólio, a carteira de investimentos reúne todos os ativos nos quais uma pessoa investe. Esta carteira pode conter, por exemplo, ações, fundos imobiliários, renda fixa e outros produtos. O tipo de produto e o grau de alocação dependerá do perfil de risco de cada investidor

De maneira geral, os analistas sugerem que uma carteira tenha um alto nível de diversificação, isto é, uma grande variedade de ativos. Quanto mais ativos a carteira tiver — e menor for a correlação entre eles — menor tende a ser o risco do investidor sofrer grandes perdas.

O que é uma carteira recomendada?

No entanto, conforme destacado no início do texto, nem todo investidor possui segurança ou conhecimento para montar sua carteira. Para esses casos, o uso de uma carteira recomendada serve como um auxílio nessa jornada.

Uma carteira recomendada é uma lista de ativos que costuma ser indicada por corretoras e casas de análises. Ela reúne uma série de investimentos que são apontados por analistas e profissionais de mercado.

De modo geral, essas carteiras trazem uma lista de ativos que são recomendados pelos profissionais da empresa, além de análises que explicam essa indicação.

Cabe ressaltar que as carteiras recomendadas são fruto de uma extensa análise tanto dos ativos da carteira quanto do mercado como um todo. Feita esta análise, o ativo é incluído na carteira. Elas também contêm informações como histórico de rentabilidade, potencial avaliado de retorno, riscos envolvidos, bem como o preço-alvo para eventuais compras e vendas.

Nesse sentido, uma carteira recomendada geralmente possui três indicações de recomendação para os ativos:

  • compra: os analistas recomendam a compra do ativo a determinado preço-alvo;
  • neutro: esperar até que o ativo alcance o preço-alvo estabelecido na carteira;
  • venda: recomenda-se a venda do ativo.

As carteiras recomendadas servem como uma orientação para indicar bons ativos. No entanto, cabe lembrar que cada carteira representa a visão do analista ou gestor que a produziu. A decisão final de seguir ou não aquela recomendação e comprar os ativos caberá sempre ao investidor.

Tipos e frequência das carteiras

Cada corretora possui determinados tipos de carteira, bem como uma frequência de divulgação. As carteiras semanais e mensais são bastante comuns entre as corretoras.

Quanto aos tipos de carteira, existe uma padronização maior. Praticamente todas as corretoras possuem carteiras recomendadas de ações. Outras corretoras oferecem carteiras de small caps, que são ações de empresas com menor valor de mercado.

Há também as carteiras de fundos imobiliários (FIIs), que analisam ativos exclusivamente deste setor. Por outro lado, algumas corretoras também cobrem o mercado internacional, indicando ações estrangeiras e seus respectivos BDRs (Brazilian Depositary Receipts).

Por fim, existem também as carteiras recomendadas de ativos de renda fixa, como Tesouro Direto, e de fundos de investimento.

O site da revista Exame possui um ranking contendo as melhores carteiras recomendadas. Divulgado no início de cada mês, o ranking traz informações sobre as ações mais recomendadas, quais corretoras recomendam e também a rentabilidade de cada carteira no mês anterior.

Vantagens e desvantagens

Assim como os investimentos em si, seguir as carteiras recomendadas possui algumas vantagens:

  • decisão de investir baseada em dados e análises concretas;
  • o investidor não precisa dedicar tanto tempo para realizar suas análises, contando com ajuda profissional;
  • servir como um norte para o investidor identificar boas oportunidades no mercado;
  • ferramenta de aprendizado que pode aumentar o conhecimento do investidor, levando-o a melhorar sua própria capacidade analítica.

Contudo, também há desvantagens no uso dessas carteiras. Veja, abaixo, as principais:

  • as carteiras recomendadas são padronizadas, portanto podem não se encaixar nos objetivos pessoais de determinado investidor;
  • por sofrerem atualização constante, as carteiras recomendadas podem estimular o giro de ativos e prejudicar a rentabilidade a longo prazo;
  • as ações recomendadas podem ter desempenho inferior ou até negativo, gerando perdas ao investidor.

Em suma, carteiras recomendadas são uma opção interessante sobretudo para o investidor que não tem experiência no mercado. Mas elas também possuem riscos e desvantagens que devem ser levados em conta antes de investir.

O que é e como funciona uma carteira recomendada